quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

MERCADO DO LUXO VI - Clube particular


Por Liana Mello

Depois de aquecer os músculos na cama elástica e na bicicleta ergométrica, Marcelo Torres veste suas luvas de boxe, de 16 onças, posiciona os pés corretamente, fixa o olhar no adversário e dispara o primeiro golpe. Intercalando o jab com o direto, ele tenta um gancho, desferido debaixo para cima. Neguinho, como é conhecido seu oponente, desvia o queixo. O round termina sem vencedor. Torres, encharcado de suor, só não desce do ringue porque a luta ocorre à beira da piscina, com o Cristo Redentor ao fundo como testemunha.


Cremilson Oliveira treina o restauranteur Marcelo Torres: aulas de boxe três vezes por semana para compensar eventuais excessos à mesa

Torres, restauranteur e premiado empresário carioca do setor gastronômico, é aluno de Neguinho, que nasceu Cremilson de Oliveira, e virou professor de boxe de ricos e famosos. As aulas acontecem em sua casa: uma residência de quatro andares, cinema para dez pessoas, elevador particular, 13 banheiros e uma cozinha gourmet, onde Torres recebe os amigos e se diverte com seus utensílios para cozinha de diferentes tamanhos e formas, temperos variados e muitas panelas.
É no boxe que Torres compensa os eventuais excessos à mesa: perde de 600 a 800 gramas conforme a intensidade do treino. As aulas duram uma hora e ocorrem três vezes por semana.
Localizado no Jardim Pernambuco, endereço exclusivo do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, Torres transformou seu lar em uma espécie de clube particular, onde mora com a mulher, Marcela, e as filhas Manuela, Mariana e Maria Clara, com 13, 11 e oito anos respectivamente. "Tenho um pequeno harém", brinca ele, comentando que as meninas aprenderam a nadar na piscina de casa, uma raia de 20 metros por dois metros de profundidade.
Marcela, sua mulher, faz musculação em uma academia, mas as braçadas diárias são dadas na piscina caseira, que é integrada à sauna. Isso significa que da piscina é possível entrar na sauna e vice-versa. O treino pode ser finalizado com uma sessão de hidromassagem, que tanto pode ser feita na sauna como ao ar livre.
O clube particular da família Torres só não está completo ainda porque o sonho de consumo de Marcela é fazer uma academia de musculação em casa. Só que seu marido por enquanto descarta essa possibilidade, alegando que, após fazer os cálculos, concluiu que a relação custo-benefício não justificaria o investimento.
Uma esteira ergométrica de última geração pode custar o preço de um carro popular. A Run Personal, da Techonogym, por exemplo, é o que existe hoje de mais moderno no mercado. Desenhada por Antonio Citterio, um dos grandes nomes do design e da arquitetura italiana, o equipamento conta com um visioweb, que combina plataforma digital com acesso à internet e tevê, tem aplicativos de facebook, youtube e ainda é possível ouvir música. A velocidade e a inclinação da esteira são ajustados pelo câmbio tiptronic, igual ao de carros. O produto é importado da Itália e seu preço é de US$ 25 mil.

Zazá Piereck em seu mini-ginásio: terreno de 2.800 metros quadrados em São Conrado abriga quadra poliesportiva e pista de skate, half pipe, que será ampliada


A busca por driblar o estresse do dia a dia e a correria do mundo contemporâneo está levando Torres a construir um refúgio em plena Zona Sul do Rio. Ele brinca que, se a Felicidade Interna Bruta (FIB) da família fosse medida, "o resultado seria alto". É uma referência ao Butão, pequeno reino incrustado nas cordilheiras do Himalaia, onde o contentamento da população é mais importante que o desempenho da produção industrial.
Torres, que não está sozinho nessa busca, está convencido de que investir no bem-estar da família é uma das melhores aplicações para o futuro.
A casa do casal Zazá Piereck e Cello Macedo conjuga ares de montanha com brisa e vista para o mar. Em um terreno de 2.800 metros quadrados rodeado de verde por todos os lados em São Conrado, na Zona Sul do Rio, e arrematado com plantas escolhidas por Burle Marx, o refúgio tropical da família vem, há 11 anos, ganhando "puxadinhos", como costuma brincar Zazá. É que mal a família acaba uma obra, outra já está a caminho. O bate-estaca constante é para adequar o lar às necessidades do casal e seus dois filhos: Chico, de 14 anos, e Olívia, de 11 anos.
Depois de mexer em alguns cômodos, o terreno ganhou uma quadra poliesportiva, onde se joga futebol, vôlei e basquete. Foi o começo da construção de um miniginásio caseiro. Uma pista de skate, half pipe, grafitada pelo mais conhecido coletivo de arte urbana do Rio, o Fleshbeckcrew, está prestes a ser ampliada novamente. Pai e filho fazem manobras na pista, que já chegou a ser usada pelo heptacampeão de megarampa Bob Burnquist. O atleta esteve no Rio em companhia de um primo de Zazá, que mora na Califórnia.
De obra em obra, a antiga sauna seca virou uma espécie de aquário em meio à floresta e passou a ser a vapor. A academia de musculação ganhou vista para o mar. O único usuário é Cello, que antes tinha por costume "pagar a academia e não ir": "Agora malho diariamente, mas não é para ficar forte. É para não ficar fraco, já que tenho tendência a emagrecer".
Um ofurô, que foi instalado próximo ao quarto do casal, é uma espécie de ponto de encontro de pais e filhos. Só que para usá-lo é preciso se organizar previamente porque para enchê-lo e a água atingir a temperatura ideal demora cerca de uma hora e meia.
"Ainda vamos construir um espaço zen, para meditação" - pensa alto Cello, que, diariamente, vê sua mulher meditar na varanda do quarto ao som dos tucanos que vivem nos jardins da residência.
A casa foi projetada por Zanine Caldas nos anos 60 e adquirida por Cello, ex-dono da marca Devassa, em 2002. A cervejaria foi vendida para a Schin. Sua mulher Zazá é dona do Zazá Bistrô, em Ipanema, onde a cozinha é influenciada pelas viagens internacionais que a família costuma fazer anualmente. De biotipo magro, a chef não precisa se preocupar excessivamente com a silhueta, ainda assim não dispensa os exercícios na cama elástica.


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